Fim de Papo

Terceira via existiu?

A terceira via morreu por inanição

A terceira via morreu por inanição. Ou um dia existiu? Se existiu, Luciano Bivar tratou de colocar uma pedra em cima. Ele tirou o União Brasil de perto do PSDB e MDB, enterrando a possibilidade de uma federação partidária, com candidato único à presidência da República, para tentar quebrar a polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o atual presidente Bolsonaro (PL).

A tentativa da terceira foi perdendo força conforme a falta de capacidade de seus autores, atestada pelo cidadão-eleitor. A série de pesquisas da Genail/Quest ajuda a comprovar isso. Em julho de 2021, quando o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro empinou o nariz como uma alternativa no tabuleiro da sucessão presidencial, um terço dos brasileiros (31%) queria votar em um nome que não fosse Lula ou Bolsonaro. Em março deste ano, essa porcentagem caiu para 25% e, na última pesquisa do instituto, apenas 17% dos entrevistados disseram que queriam votar fora do eixo Lula/Bolsonaro.

Luciano Bivar tratou de acabar com a brincadeira. Viu que federalizar com PSDB e MDB para apoiar Doria ou Simone Tebet não seria a melhor alternativa. Com os cofres abarrotados de dinheiro do fundo eleitoral e cheio de minutos da propaganda na TV, Bivar entendeu que o União Brasil deve seguir em carreira solo. Certamente não elegerá o presidente do País, mas ganhará elegendo bancada robusta à Câmara dos Deputados. A chapa puro-sangue Moro-Bivar ganhará vida.

No centro-democrático, agora esfacelado, restaram Doria e Tebet. O PSDB seguirá sozinho; o MDB convencerá Tebet que o melhor caminho é firmar aliança com o PT já no primeiro turno das eleições, uma vez que essa união já se espalhou pelos estados, como é o caso do Rio Grande do Norte em que a governadora petista Fátima Bezerra terá como companheiro de chapa o deputado federal emedebista Walter Alves.

Doria e Tebet podem até insistir em chapa única entre os dois partidos. O ex-governador de SP afirmou nesta quinta-feira, 28, que não teria dificuldade de ser vice de Tebet. O problema é que, provavelmente, não haverá eleitores para esta aliança.

Voltando ao União Brasil, mesmo que o partido lance a chapa Moro-Bivar, seus filiados nos estados se sentirão livres. Na Bahia, por exemplo, ACM Neto, que é o secretário-geral do União, mostra-se confortável em ter a simpatia de bolsonaristas à sua candidatura a governador, que tem como principal concorrente o petista Jerônimo Rodrigues. O deputado Elmar Nascimento, que é o líder do União Brasil na Câmara, é unha e carne com o presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas), aliado do governo Bolsonaro.

O fato é que a terceira via se existiu um dia, virou pó. E o Brasil segue para uma disputa acirrada e radical entre Lula e Bolsonaro, com Ciro Gomes (PDT) cumprindo o papel de “bobo da corte”.

Redação

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