NITEROIMAIS

Revista Eletrônica de Niterói

Pazuello negociou com intermediários compra da vacina CoronaVac

A proposta era de se adquirir a vacina chinesa por preço três vezes mais caro do que o ofertado pelo Butantan

Em 11 de março, quando ainda era ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello se reuniu com intermediários que ofereceram doses da vacina CoronaVac pelo triplo do preço.

No contrato do governo federal com o Instituto Butantan, para fornecimento da mesma vacina contra a Covid, as doses saíram a US$ 10 cada. Mas, por meio dos intermediários recebidos pelo ex-ministro, o preço seria US$ 28 por dose.

A informação foi publicada em primeira mão pelo jornal “Folha de S.Paulo”.

De acordo com apurações da CPI da Covid, os intermediários são de uma empresa de Santa Catarina, a World Brands. Até a última atualização deste texto, a empresa não tinha se manifestado.

A CoronaVac foi a vacina mais atacada pelo presidente Jair Bolsonaro — por razões ideológicas e pela rivalidade política com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Por mais de uma vez, Bolsonaro afirmou que não compraria a “vacina da China”. Ele chegou a desautorizar Pazuello, mandando cancelar um protocolo de intenções entre o Ministério da Saúde e o Butantan para fornecimento da vacina. No final de outubro, em um cenário de escassez de vacinas, o governo cedeu e assinou contrato com o Butantan.

Pazuello diz que proposta por 30 milhões de doses da CoronaVac era inidônea

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, publicou uma nota na noite desta sexta-feira (16/7) com a sua versão sobre o encontro que ele teve em março deste ano com representantes da empresa World Brands Distribuidora S/A, que se diz representante comercial no Brasil da farmacêutica chinesa Sinovac, para negociar a compra de doses da vacina CoronaVac, fabricada pelo laboratório asiático.

A manifestação de Pazuello veio à tona após a divulgação, nesta manhã, de um vídeo em que ele confirma a possibilidade de adquirir as vacinas por intermédio da World Brands. A oferta feita pela empresa ao governo federal foi de vender 30 milhões de doses do imunizante ao preço de US$ 28 dólares cada. Esse valor é quase três vezes mais caro do que foi oferecido ao Ministério da Saúde pelo Instituto Butantan, que fabrica a CoronaVac no Brasil, no ano passado, em um processo que foi dificultado pelo presidente Jair Bolsonaro.

O ex-ministro diz que, enquanto esteve na função, “em momento algum” negociou aquisição de vacina com empresários. No comunicado, ele detalha que encontrou os representantes da World Brands após um pedido formal de reunião feito pela empresa ao ministério. Segundo Pazuello, “diante da importância da temática”, ele ordenou que a Secretaria Executiva da pasta fizesse uma pré-sondagem acerca da proposta para aquisição de vacinas a ser ofertada pela World Brands.

De acordo com a nota, Pazuello não participou do encontro. Ele diz que só conversou com os representantes comerciais da Sinovac após a reunião de outros funcionários do Ministério da Saúde com os integrantes da World Brands.

A ideia do vídeo, segundo ele, partiu da Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde, que sugeriu a gravação “de um pequeno vídeo de memória para posterior publicação dos atos e fatos da administração pública”.

Na filmagem, Pazuello fala claramente que a empresa sairia dali “com o memorando de entendimento assinado e com o compromisso de o ministério de celebrar, no mais curto prazo, um contrato para podermos receber essas 30 milhões de doses”.

Mas na nota divulgada nesta noite, ele diz que desistiu de elaborar o memorando e de divulgar o vídeo porque foi alertado de inconsistências na oferta da World Brands. “Após a gravação, os empresários se despediram e, ato contínuo, fui informado que a proposta era completamente inidônea e não fidedigna. Imediatamente, determinei que não fosse elaborado o citado memorando de entendimentos (MoU), assim como que não fosse divulgado o vídeo realizado”, escreveu Pazuello.

Apesar de relatar irregularidades na proposta, o ex-ministro não diz na nota se denunciou a suposta oferta ilícita da World Brands à Polícia Federal ou outros órgãos investigativos.

Pela proposta, o governo teria de repassar 50% do valor total da compra à empresa em um período de até dois dias da assinatura do contrato. O restante seria transferido na data de cada embarque, relativos à quantidade que estivesse sendo enviada.

%d blogueiros gostam disto: