Estado

Operação apreende R$ 1,2 mi com delegada acusada de negociar com Ronnie Lessa

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou a Operação Calígula, na manhã desta terça-feira, 10, para desarticular um esquema para proteger uma organização criminosa especializada em jogos de azar. De acordo com a Promotoria, o grupo é liderado por Rogério de Andrade, sobrinho de Castor de Andrade, um dos maiores bicheiros cariocas, e o filho dele, Gustavo de Andrade, e tem como um dos integrantes o ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado de ser o assassinado da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A operação cumpre 29 mandados de prisão e 119 de busca e apreensão, a serem feitos em quatro bingos comandados pelo grupo. Entre os alvos, acusados pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, estão agentes da Polícia Civil – só na casa da delegada Adriana Cardoso Belém, que foi titular da 16ª DP, da Barra da Tijuca, foi apreendida uma quantia de R$ 1,2 milhão.

De acordo com a denúncia, Belém teria negociado com Ronnie Lessa um acordo para a liberação de 80 máquinas caça-níquel apreendidas em uma casa de apostas da organização criminosa, mediante pagamento de propina que teria sido providenciado por Rogério de Andrade.

Ainda segundo do MPRJ, Rogério e Gustavo comandam a estrutura que atua no Rio de Janeiro e em outros Estados. Segundo os Promotores de Justiça, a organização estabeleceu acertos de corrupção estáveis com agentes públicos integrantes de diversas esferas do Estado, principalmente ligados à Segurança Pública, incluindo tanto agentes da Polícia Civil, quanto da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Integrantes da polícia civil mantinham contatos permanentes com outros policiais corruptos, pactuando o pagamento de propinas em contrapartida ao favorecimento dos interesses do grupo liderado por Rogério de Andrade. Enquanto isso oficiais da PM serviam de elo entre a organização e Batalhões de Polícia, que recebiam valores mensais para permitir o livre funcionamento das casas de aposta do grupo.

Na mesma linha de atuação de corrupção, o policial civil aposentado Amaury Lopes Júnior foi denunciado como integrante do grupo. Ele era o elo da organização com diversas delegacias. Também foi apontado como receptor de propinas, agindo em favor de integrantes do alto escalão da polícia civil, o Inspetor Vinícius de Lima Gomez. O balanço mais recente dos resultados da operação Calígula confirma 11 prisões, além da apreensão de oito aparelhos celulares, um notebook, um HD, um pen drive, e R$ 1,2 milhão na casa da delegada Adriana Belém, alvo de busca e apreensão.

A parceria entre Rogério de Andrade e Ronnie Lessa para a prática de ações criminosas é apontada nas denúncias como antiga, havendo elementos de prova de sua existência ao menos desde 2009, quando Ronnie, indicado como um dos seguranças de Rogério, perdeu uma perna em atentado à bomba que explodiu seu carro.

Posteriormente, em 2018, ano do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, os dois denunciados se reaproximaram, e Rogério novamente se aliou a Ronnie, abrindo uma casa de apostas na localidade conhecida como Quebra-Mar, na Barra da Tijuca.

O bingo era financiado por Rogério e administrado por Ronnie, Gustavo de Andrade e outros comparsas. O espaço foi fechado pela PM do Rio no dia da inauguração, mas em seguida, após ajustes de corrupção com policiais civis e militares, a casa foi reaberta, e as máquinas apreendidas foram liberadas. A Jovem Pan entrou em contato com a defesa de Lessa, mas não teve resposta. A defesa de Rogério de Andrade e da delegada Adriana Cardoso Belém ainda não foi localizada. Caso haja manifestação, a reportagem será atualizada.

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