ELEIÇÕES 2022 POLÍTICA

Lula reúne lideranças de esquerda e ignora ataque com bomba caseira

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva reuniu apoiadores e militantes de esquerda no ato político “Sempre Juntos Pelo Rio” realizado, nesta quinta-feira (7), na Cinelândia, Centro do Rio. Com aproximadamente 5.000 m², o local ficou sob forte esquema de segurança. A área isolada ocupou toda a parte frontal do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal. A previsão era de que 30 mil pessoas participassem do evento. O número de presentes, no entanto, ainda não foi divulgado.

Durante o ato foi possível ver manifestantes e simpatizantes da candidatura presidencial petista com bandeiras e instrumentos musicais. Alguns deles usavam máscaras com o rosto de Lula. No local, também era possível ver um enorme boneco inflável com uma faixa de presidente.

Artistas cantaram o Hino Nacional antes do discurso de Lula. Na sequência foi exibido um vídeo que indagava: “Que Brasil você quer?  O do ódio ou do amor?”. O ato foi transmitido em tempo real pelas redes sociais do ex-presidente.

Primeiro a discursar, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) criticou o presidente Jair Bolsonaro (PL), e juntamente com o presidente Nacional do PSOL, Juliano Medeiros, falou sobre o enfrentamento aos grupos milicianos no Rio de Janeiro.

O deputado federal Alessandro Molon (PSB), que disputa o apoio de Lula, para concorrer a uma vaga no Senado contra o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) André Ceciliano (PT), discursou antes da chegada de Lula e atacou, de forma indireta, o seu rival petista. A equipe do deputado mobilizou militantes com placas com seu nome junto do deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e Lula. Também foi realizada uma grande projeção na fachada de um prédio próximo ao palco. Molon retirou-se do evento antes da chegada do ex-presidente petista.

André Ceciliano, em discurso com a presença de Lula, também lançou indiretas contra Molon, chamando de “covardes” aqueles que deixaram o PT em momentos de crise – Alessandro Molon, deixou a sigla em 2015. Ao contrário de Molon, Ceciliano contou com espaço privilegiado no palanque lulista, com direito a vídeo e jingle apresentados nos telões.

Ao subir no palanque Lula ignorou a disputa ao Senado fluminense e tratou de prestigiar aos que estavam com ele: o ex-governador de São Paulo e candidato a vice na chapa Geraldo Alckmin (PSB); Marcelo Freixo; André Ceciliano (PT) e lideranças locais dos partidos PT, PSB, PCdoB, PSol, PV, Solidariedade e Rede. Lula fez questão de apresentar Marcelo Freixo, como o seu único candidato a governador. O petista afirmou que pretendia fazer o ato político, na Baixada Fluminense, mas acabou sendo convencido de fazê-lo, na Cinelândia. O ex-presidente também afirmou que se for eleito vai suspender o sigilo de cem anos imposto por Bolsonaro quanto aos decretos por ele emitidos. Lula disse ainda que o Brasil precisa “gostar de livros, e não de armas, de amor, e não de ódio”.

Com introdução ao discurso de Marcelo Freixo, pré-candidato ao Governo do Estado do Rio, foi exibido um vídeo com imagens de Lula e Freixo, que fez críticas ao governo Bolsonaro. Marcelo Freixo ressaltou que Lula merece ganhar a eleição no primeiro turno.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, marcou presença no evento e falou sobre as mortes provocadas pela pandemia. O evento também contou com a presença de Geraldo Alckmin, que também discursou. A socióloga Rosângela da Silva (Janja), mulher Lula, também compareceu ao ato.

Apesar de pacífico, o comício de Lula registrou um ato de vandalismo perpetrado por um homem ainda não identificado. Segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), o “homem infiltrado no ato” teria arremessado “um artefato explosivo de festas juninas” com urina na área cercada próxima ao palco, antes da chegada de Lula. A explosão ocorreu ao lado dos banheiros químicos e produziu um cheiro ruim na área. O incidente gerou apreensão nos presentes, que se deslocaram para a parte central da Cinelândia. Não há registro de feridos. Ainda segundo a PM, o homem foi autuado em flagrante por crime de explosão e levado para a delegacia.

Este é mais um episódio de ataques a Lula desde que se lançou como pré-candidato à presidência da República. O ex-presidente tem privilegiado atos em locais com algum controle de acesso, como centro de convenções ou estacionamentos de estádios. Na Bahia, durante a celebração do dia da Independência do Estado, no dia 2 de julho, Lula caminhou na rua, mas discursou no estacionamento do estádio da Fonte Nova.

Falhas no esquema de segurança de Lula também foram evidenciadas durante a sua cerimônia de casamento, em 18 de maio. A luz vermelha acendeu, no entanto, após o protesto de um bolsonarista durante o lançamento do programa de governo de Lula, quando três manifestantes burlaram o esquema de segurança e entraram no salão onde ocorria o evento, restrito a convidados. No local, não havia detectores de metal. Os 150 convidados não passaram por revista.

O cerco a Lula tem se tornado intenso à medida que o tempo avança. Durante viagem a Campinas, no dia 5/05, apoiadores de Bolsonaro cercaram o carro do petista, que deixava um condomínio onde tinha almoçado. Em junho, apoiadores do ex-presidente sofreram um ataque com líquido de cheiro forte realizado por drone nos arredores do Centro Universitário do Triângulo (Unitri), onde horas depois Lula se encontraria com o ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD). Por conta disso, Lula tem sido orientado a reforçar sua proteção em eventos públicos e restritos. O que já vem ocorrendo, apesar do resistência do petista em impor restrições ao contato popular. A segurança pessoal de Luís Inácio Lula da Silva também ganhou reforço.

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