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Jornalista russa que protestou contra guerra na Ucrânia é multada

Um dia após causar sensação na Rússia ao aparecer ao vivo no principal telejornal do país com um cartaz protestando contra a guerra na Ucrânia, a jornalista Marina Ovsiannikova já sentou no banco dos réus.

Editora do programa Vremia (Tempo), do estatal Canal Um, Marina gritou pedindo o fim do conflito e levantou um cartaz com frases como “não acreditem na propaganda” e “aqui todos mentem”, além do “não à guerra”, em inglês e em russo.

Ela não foi enquadrada no crime, definido por lei na semana retrasada, de divulgação de informações falsas sobre a “operação militar especial”, como o Kremlin chama a guerra, e as Forças Armadas russas.

Por isso, poderia pegar até dez dias de cadeia, não os 15 anos que a interpretação mais draconiana da lei permite. Mas acabou sendo multada em 30 mil rublos (R$ 1.430). Houve protestos internacionais contra a eventual punição à jornalista, que recebeu apoio até da Organização das Nações Unidas, e isso pode ter pesado. Mas a rapidez de seu julgamento foi feita para servir de exemplo.

Mais cedo, o porta-voz do Kremlin criticou Marina, dizendo que ela cometeu um ato de vandalismo. Mas elogiou o Canal Um, por sua “cobertura técnica e imparcial”. Antes de ser detida, logo após o episódio na noite de segunda (14), a editora havia postado em rede social um manifesto contra a guerra, contra a emissora e contra o presidente Vladimir Putin.

O clima entre jornalistas do país está péssimo. Também nesta terça, a âncora Lilia Gildeeva, que estava havia 16 anos à frente do programa Hoje, do canal de TV aberto NTV, anunciou que fugiu da Rússia.

Ela pediu demissão de um país desconhecido, segundo o jornal RBC. A NTV foi o primeiro canal a sofrer intervenção do governo de Putin, em 2001, quando foi tirado de um oligarca rival do Kremlin e comprado pela estatal de gás Gazprom.

Gildeeva nem de longe parecia uma opositora. Recebeu duas vezes uma comenda de Putin por seu trabalho. Disse que deixou o país por medo de ser impedida de fazê-lo no futuro, embora não tenha elaborado o motivo óbvio, a guerra na Ucrânia.

Os dois episódios dão tons sombrios à situação da mídia russa. Desde o começo da guerra, foram sendo impostas paulatinas proibições e restrições oficiais a veículos que reportassem o conflito o chamando pelo nome. Veículos clássicos da democratização pós-soviética, como a rádio Eco de Moscou, e símbolos mais modernos da independência possível na Rússia, como a TV Chuva, tiveram de fechar as portas.

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