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Eduardo Paes ameaça: “Dou um jeito de tornar o acesso ao Santos Dumont um inferno para quem quiser ir para lá”

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou em entrevista ao Globo que os investidores com interesse em comprar o aeroporto Santos Dumont devem estar reparados para enfrentar grandes dificuldades jurídicas e legais se os interesses da cidade não forem respeitados. E advertiu:

– Se não tiver um edital que proteja os interesses do Rio de Janeiro, o recado que deixo é que não entrem nessa concessão e nessa licitação porque a vida deles não vai ser fácil com a Prefeitura do Rio. Tenho certeza de que a Câmara de Vereadores, a Assembleia Legislativa e o governo do estado também não darão vida fácil. Dar vida fácil a qualquer (concessionário) privado que defenda um modelo que não atenda os interesses do Rio seria entregar os interesses da cidade. O limite é esse… de eu dizer um absurdo aqui. Olha, dou um jeito de tornar o acesso do Santos Dumont um inferno para quem quiser ir para lá.

Paes acrescentou:

– Enquanto não estiver garantida uma restrição ao número de voos no Santos Dumont, a Prefeitura do Rio vai manter uma representação no Tribunal de Contas da União contra o edital de leilão do aeroporto.

O objetivo é evitar o esvaziamento do Galeão, o aeroporto internacional da cidade, que tem papel relevante não só no turismo, como na conectividade (ligações diretas de voos com outros destinos) e no abastecimento da indústria com o transporte de cargas.

O prefeito afirma que já tem audiência virtual marcada com o ministro Walton Rodrigues hoje para discutir o assunto. Ele não descarta a via judicial para evitar maior expansão do terminal no Centro do Rio.

Leia alguns trechos da entrevista do prefeito:

– O Rio vai à Justiça se não houver restrição ao aumento de voos?

A prefeitura vai manter a representação junto ao TCU, esperando que as coisas possam ser resolvidas em um fórum de discussão que não precise de ação judicial, embargo ambiental, de medidas ao TCU. Mas fica a mensagem clara de que iremos ao limite do limite para impedir esse crime contra o Rio.

– E qual seria o limite?

O limite do limite é um recado muito claro aos (investidores) privados que, se não tiver um edital que proteja os interesses do Rio de Janeiro, o recado que deixo é que não entrem nessa concessão e nessa licitação porque a vida deles não vai ser fácil com a Prefeitura do Rio. Tenho certeza de que a Câmara de Vereadores, a Assembleia Legislativa e o governo do estado também não darão vida fácil. Dar vida fácil a qualquer (concessionário) privado que defenda um modelo que não atenda os interesses do Rio seria entregar os interesses da cidade. O limite é esse… de eu dizer um absurdo aqui. Olha, dou um jeito de tornar o acesso do Santos Dumont um inferno de quem quiser ir para lá. Claro que estou falando aqui de forma figurada, mas é um pouco isso. Recorrer às ferramentas possíveis e imagináveis: ambiental, trânsito, sob o ponto de vista legal, institucional. Sigo o diálogo, mas tendo em vista a experiência do último ano, é a forma que a gente encontra para fazer valer os interesses do Rio. Agora, acreditando que esse grupo de trabalho vai chegar a um consenso.

– O governo federal decidiu leiloar o Santos Dumont em separado. A prefeitura vai manter a representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra o edital?

– Primeiro, essa decisão a gente tem que comemorar. Ela mostra o quanto tivemos ouvidos surdos durante pelo menos um ano por parte do Ministério da Infraestrutura. Sempre tivemos como resposta um completo desprezo pelas afirmações, comentários ou questões que levantávamos. Esse movimento do governo federal é para ser aplaudido. Recuar não é problema, não é vergonha. É demonstração de que se está aberto ao diálogo. Quero agradecer ao governo federal e ao ministro Tarcísio (de Freitas, da Infraestrutura) por ter, mesmo tardiamente, mostrado capacidade de diálogo. Já havia esse sinal com a criação do grupo de trabalho. Quero crer, e as atitudes do governo federal agora demonstram que não é uma coisa deliberada para destruir o Galeão e sim viabilizar o Galeão. Era muito mais uma visão equivocada do que se pretende para Galeão e Santos Dumont. Agora, a questão de fundo é que, com as nossas características, momento econômico e até a geografia do Rio, tem que pensar o conjunto. O Galeão tem importância estratégica e econômica para a cidade. Deve ser priorizado. O Santos Dumont é charmosinho, tem lindo visual. É muito fofo, mas não pode ser o que norteia as decisões.

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