Negócios & Ideias

De olho no delivery, dono do Spoleto compra 100% do China in Box

O Grupo Trigo — dono dos restaurantes Gurumê, Spoleto, Koni e LeBonton — acaba de comprar 100% da TrendFoods, que controla as marcas de comida asiática China in Box e Gendai.

A aquisição, cujo valor não foi revelado, foi paga majoritariamente em dinheiro, e será financiada com a emissão de dívida e um aumento de capital feito por um dos sócios do grupo.
Apenas um dos acionistas da TrendFoods — o CEO Carlos Sadaki — receberá ações do Trigo e continuará como executivo da empresa, à frente das marcas adquiridas.

A aquisição é uma solução de continuidade para a TrendFoods depois que o fundador Robinson Shiba sofreu um acidente de moto há dois anos e teve que deixar temporariamente o dia-a-dia da empresa. (O esforço de recuperação de Shiba tem inspirado milhares de pessoas que acompanham sua luta pelo Instagram. Força Shiba!)

A TrendFoods nasceu em 1992 quando Shiba fundou o China in Box inspirado por sua experiência nos EUA, onde conheceu o conceito da comida em caixinha. (Os outros acionistas da TrendFoods são Sadaki e as famílias Ohara e Sugiyama).

A conversa entre as duas empresas começou antes da pandemia, mas se aprofundou há cerca de um ano.

A aquisição vem num momento em que as vendas do Grupo Trigo começam a se recuperar depois do baque da covid. O Spoleto teve um faturamento médio por restaurante de R$ 150 mil em outubro, em comparação a R$ 125 mil no mesmo mês de 2019, o CEO Antonio Moreira Leite disse ao Brazil Journal.

“Essa é uma curva ascendente. Temos visto uma recuperação muito forte,” disse ele.

O Grupo Trigo vai faturar R$ 690 milhões este ano e espera dobrar a receita ano que vem, chegando a R$ 1,4 bilhão. Desse total, a estimativa é que R$ 480 milhões venham das marcas que estão sendo adquiridas.

A TrendFoods tem 192 lojas: 143 do China In Box (todas franquias) e 49 do Gendai (9 próprias e o resto franquias). Já o Grupo Trigo tem 450 restaurantes, a maior parte do Spoleto (332). Todas as marcas do grupo operam unicamente com franquias, com exceção do Gurumê, que tem seis lojas próprias e vai faturar R$ 115 milhões este ano. (A loja de Ipanema já nasceu pequena: está sempre lotada.)

Cada loja do Gurumê “demanda um capex de R$ 6 milhões e fatura R$ 1,5 mi por mês. Nosso plano é abrir mais duas unidades em São Paulo este ano e já estamos selecionando mais pontos no Rio,” disse o CEO.

A aquisição da TrendFoods é estratégica porque fortalece a presença do Grupo Trigo em um dos pilares estratégicos da empresa: o delivery.

A TrendFoods faz 75% de suas vendas pelo delivery, e o China in Box já é o sétimo serviço de entrega mais usado pelos brasileiros, segundo uma pesquisa que considerou também os apps de delivery (iFood, Rappi e Uber Eats).

Neste ano, o delivery deve representar 41% das vendas do Grupo Trigo, e a expectativa é que o número salte para 52% com a incorporação da TrendFoods.

A visão estratégica do grupo é continuar consolidando o mercado, hoje extremamente fragmentado e pouco profissionalizado, e investindo em tecnologia para aumentar a eficiência dos restaurantes.

Nos últimos anos, o Trigo fez quatro investimentos minoritários em empresas de tech — a software house Gcom, a logtech Box Delivery, a Quiq e a Fazenda Futuro — e investiu R$ 10 milhões para crescer sua área interna de tecnologia, com a criação, por exemplo, de um time de data analytics.

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