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Revista Eletrônica de Niterói

Bolsonaro pede a comandante do Exército que sua filha seja matriculada em Colégio Militar de Brasília sem precisar passar pelo processo seletivo da instituição

O presidente Jair Bolsonaro pediu ao comandante do exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, que sua filha mais nova, Laura Bolsonaro, de 10 anos, seja admitida no Colégio Militar de Brasília sem ter que passar pelo processo seletivo da instituição, pelo qual passam os demais alunos. A informação foi apurada pela Folha junto ao Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx).

De acordo com a CCOMSEx, o general aguarda resposta do Departamento de Educação e Cultura da Força, órgão responsável pela administração dos colégios militares no Brasil, para promulgar uma decisão a respeito do pedido.

Se porventura o benefício for concedido à Laura, o Exército repetirá o feito do ano passado, quando concedeu ao filho da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) o direito de ingressar na instituição sem necessidade de passar pelas provas exigidas dos outros candidatos mirins. À época, o menino de 11 anos, foi matriculado para cursar o sexto ano. Segundo Zambelli, uma das principais apoiadoras de Bolsonaro, o pedido foi emitido por uma questão de segurança e que o jovem vinha sofrendo ameaças desde 2016. A autorização foi assinada pelo então comandante geral do Exército, Edson Leal Pujol, e publicada em boletim interno de acesso restrito.

As inscrições para os processos seletivos dos colégios militares de Brasília e outros 13 municípios abriram no último dia 18 e prosseguem até o dia 24 de setembro. Mediante a inscrição, os candidatos convencionais serão submetidos a um longo processo de seleção que envolve um exame intelectual, contendo questões de matemática, português e uma redação, uma revisão médica odontológica e, por fim, a comprovação dos requisitos biográficos dos inscritos.

Este ano, estão disponíveis 15 vagas para o sexto ano do ensino fundamental no Colégio Militar de Brasília, conforme postulado pelo manual do candidato. Segundo o edital da instituição, para concorrer às vagas é necessário que o estudante tenha nacionalidade brasileira, esteja cursando ou tenha terminado o quinto ano e tenha entre 10 e 13 anos. As vagas para a unidade estão entre as mais disputadas do país. Em 2017, foram 1212 candidatos para 25 vagas, o equivalente a uma vaga para cada 48 inscritos.

No caso da filha de Bolsonaro, se o comandante do Exército entender que se trata de um “caso especial”, poderá aplicar o artigo 92 do R-69, que prevê a admissão de alunos sem a necessidade de um processo prévio, mediante situações adversas como risco à segurança da criança.

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