Três torcedores do Vasco são detidos após confusão em Joinville

003Polícia anunciou que três torcedores do Vasco foram presos, suspeitos de participar dos confrontos selvagens nas arquibancadas

Infelizmente, o futebol neste fim de semana não ficou marcado pela emoção da última rodada, mas pelas cenas de selvageria nas arquibancadas da Arena Joinville, onde torcedores de Vasco e Atlético-PR entraram em confronto. Quatro torcedores foram hospitalizados, um deles em estado grave, com uma fratura no crânio.

Após o fim do jogo, que terminou com goleada do Furacão, garantido na Libertadores, e um rebaixamento melancólico do Vasco, a polícia anunciou que três pessoas foram presas, acusadas de participação na pancadaria. Três torcedores cruzmaltinos foram detidos – entre eles, Leone Mendes da Silva, de 23 anos, que foi visto nas imagens agredindo outro torcedor com uma barra de ferro com pregos.

Leone foi encontrado durante uma revista a um dos ônibus com torcedores do Vasco que foram parados na saída da cidade. Ele tentou se esconder no banheiro, mas foi descoberto. Os outros foram pegos quando deixavam o estádio.

Os outros dois torcedores do Vasco presos são Jonathan Santos, de 29 anos, e Arthur Barcelos Lima Ferreira, de 26. Todos serão indiciados por tentativa de homicídio, revelou o delegado Douglas Cique, e ainda terão de responder por associação criminosa e crime contra o patrimônio público. Arthur é ainda acusado de furto, por ter batido as carteiras de outros torcedores durante a briga.

“Os três foram identificados facilmente pelas fotos que estamos analisando. E não vamos parar por aí. Ainda vamos tentar identificar torcedores dos dois clubes que promoveram essa briga,” declarou o delegado.

Todos foram encaminhados para a Central de Polícia de Joinville, onde permanecerão aguardado investigação.

A assessoria de imprensa do hospital São José, para onde os feridos foram levados, comunicou que nenhum dos quatro torcedores corre risco de morte. Três deles devem ser liberados na manhã de segunda-feira. O outro ainda carece de maiores cuidados, mas está passando bem.

A partida ficou mais de uma hora interrompida enquanto os juízes discutiam se teria condições de continuar. A polícia não estava presente no interior do estádio no momento do confronto e avisou que a responsabilidade de fazer a segurança no interior do local era da segurança privada.

Durante a paralisação, o zagueiro Luiz Alberto, com lágrimas nos olhos, falou sobre as cenas terríveis, com pessoas caídas, desacordadas, sendo chutadas e pisadas por multidões.

“A gente estava tentando tirar os torcedores do Atlético. Estávamos vendo o rapaz deitado, tomando chute, levando golpe de madeira. É um ser humano. Isso precisa parar. A gente pedia para eles pararem, e eles não nos escutavam,” disse.

O volante Wendel, do Vasco, também se disse muito abalado. Quando o confronto começou, os jogadores se aproximaram do alambrado e pediram para que eles parassem, mas foram ignorados. O medo de que uma invasão de campo acontecesse por qualquer uma das partes dependendo do resultado tomou conta dos atletas, que ficaram em campo acompanhando a ação da segurança do estádio e dos policiais que chegaram para separar os brigões e socorrer os feridos.

“Tristes esses confrontos, não tenho palavras. Deu para ver uma pessoa no chão, não sei o que aconteceu. Mais um desastre no nosso futebol brasileiro. Vem ano de Copa do Mundo, ano em que o Brasil vai ser visto pelo mundo todo. É difícil pensar em tirar o time do rebaixamento, e espero que não tenha acontecido o pior. Por isso que a gente vem tentando criar esse Bom Senso FC. A gente quer organizar um pouco mais,” disse Wendel.

Mais cedo, após confrontos entre as duas torcidas acontecerem próximos aos hotéis onde estavam hospedadas, um major da PM justificou a ausência da força policial dentro do estádio.

“São em torno de 80 a 150, 200 homens empregados em partidas de futebol que nós poderíamos estar utilizando em operação e no policiamento do município. Teremos estes policiais reforçando áreas de interesse e proporcionando a folga que muitos policiais tem direito e acabam perdendo por causa dessas partidas”, disse o major da PM, responsável pela coordenação da operação.

“O policiamento a ser colocado no estádio em dia de jogo vai se limitar a fazer o trabalho no entorno do evento. A PM continuará a fazer a escolta da torcida e no entorno do campo fazendo a defesa de todos que estiverem envolvidos, torcedores, etc.”, explicou.




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