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Operação desarticula tráfico no Cavalão

O Ministério Público do Rio (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Polícia Civil, realizaram ontem a Operação Pé de Pano para desarticular um esquema criminoso em torno do tráfico de drogas no Morro do Cavalão, no bairro de Icaraí, na Zona Sul de Niterói. O objetivo foi cumprir 81 Mandados de Prisão Preventiva e Mandados de Busca e Apreensão nos endereços de 84 denunciados por tráfico de drogas. Além de desarticular o esquema criminoso, os agentes também estariam checando informes, com bases em escutas telefônicas autorizadas pela justiça, do possível contato de políticos com traficantes nas eleições de 2016 com traficantes.
Agentes também checavam denúncias que policiais militares (não identificados) também teriam ligações com o tráfico, inclusive sequestrando criminosos e exigindo dinheiro para resgate, assim como receberiam dinheiro para fazer “vista grossa” quanto as atividades do tráfico na comunidade.

Dezenas de viaturas, com auxílio de helicópteros, deram suporte à ação de ontem. Até o início da tarde de ontem, dos 81 mandados de prisão expedidos pela Justiça, sete haviam sido cumpridos (seis homens e uma mulher). Outros 18 mandados foram cumpridos contra criminosos que já estavam na cadeia.

Durante as investigações, foi possível desenhar a espinha dorsal do tráfico de drogas no Cavalão, identificando 84 traficantes (soltos e presos) em suas diversas atribuições. Para tanto, no período de janeiro de 2016 até março de 2017 a comunicação de mais de 100 pessoas foi monitorada, com autorização da Justiça, além de várias diligências policiais. A investigação verificou que os traficantes do Cavalão abasteceriam outras comunidades de Niterói, servindo como “entreposto” de entorpecente. Além disso, também foi apurado o envio de cargas de drogas para serem revendidas em presídios.

Segundo o MP, o mais alto posto do tráfico na comunidade é ocupado por Reinaldo Medeiros Ignácio, conhecido como Kadá que, mesmo no Presídio Federal de Mossoró, administraria a distância o tráfico no Cavalão. Segundo levantamento policial, o lucro da organização que atua na comunidade seria em torno dos R$ 150 mil por semana. Em alguns períodos, o lucro chegou a R$ 800 mil por mês. As investigações apontaram que o grupo criminoso é capaz da compra e comercialização de grandes remessas de entorpecentes.

Esquema familiar – Kadá daria as ordens diretamente para familiares, que as repassavam a outros traficantes. Entre os familiares denunciados e que integrariam o esquema está a companheira de Kadá, Monique Pereira de Almeida, conhecida como primeira-dama, e seus filhos Rafael Medeiros Ignácio e Reinaldo Medeiros Ignácio Junior. A investigação apurou que eles faziam visitas regulares a Kadá na prisão. Monique, por exemplo, visitou o marido seis vezes num período de dois meses.

Abaixo de Kadá na hierarquia do tráfico está Anderson Rodrigues França, o Goelão, na posição conhecida como “frente”, responsável pela tomada de decisões práticas em relação ao tráfico. Ele administraria a contabilidade, gerenciaria os pontos de venda e os “gerentes do tráfico”, supervisionaria o envio de cargas e a contratação de advogados para outros traficantes. Segundo os agentes, ele seria auxiliado por sua companheira, Jaqueline Tavares Medeiros, que teria a irmã, Ana Mary, e a mãe, Jandira, como ajudante.

Por conta da complexa estrutura do tráfico, o Gaeco dividiu a denúncia em seis núcleos organizacionais, sendo o primeiro deles referente ao chefe do tráfico, o “frente” e seus familiares; o segundo referente aos “gerentes”; o terceiro referente aos fornecedores e intermediários; o quarto deles relacionado aos “vapores”; o quinto relativo aos “atividades” e “aviões”; e o sexto relacionado ao núcleo de traficantes presos, que, mesmo na cadeia, exerciam atividade de tráfico junto aos demais aliados da comunidade do Cavalão.

Um dos objetivos do Ministério Público e da Polícia Civil na repressão ao tráfico do Cavalão foi atender a demanda da população de Niterói, atormentada com as “bocas de fumo” e “cracolândias” instaladas nas entradas da comunidade – que tem seu acesso principal por Icaraí, além de entradas pelos bairros de São Francisco e Vital Brazil. Tal situação é agravada porque além das 14 “bocas de fumo” dentro da comunidade, a investigação apurou que mototaxistas também venderiam drogas nos cinco pontos de mototáxis existentes na favela (nos acessos e no interior), o que facilitava a compra e a venda de entorpecentes, inclusive para crianças e adolescentes, e tornou o tráfico no Cavalão altamente nocivo para a população.

Sobre Claudio de Figueiredo

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