Seleção acaba com jejum e atropela França antes da Copa das Confederações

09O Brasil enterrou um dos seus maiores bichos-papões neste domingo. Depois de 21 anos sem saber o que era vencer a França, a Seleção derrotou os Bleus, algozes de duas eliminações em Copas do Mundo além da perda de um título, em 1998, por 3 a 0, na Arena Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Os gols foram marcados por Oscar, Hernanes e Lucas, de pênalti.

Além da vitória ter encerrado duas escritas incômodas – além da freguesia para os franceses, o Brasil não vencia um adversário campeão do mundo desde 2009 – a vitória serviu para devolver a confiança ao grupo e trazer a torcida para o lado do time antes da estreia na Copa das Confederações. Felipão foi muito aplaudido pela torcida, formada em sua maior parte por torcedores gremistas, os donos da casa. Mesmo assim, ainda que o grupo tenha sido muito apoiado, houve momentos em que vaias foram ensaiadas. Neymar, por exemplo, deixou o campo sob algumas vaias, depois de mais um jogo que não empolgou.

O futebol, é verdade, não foi exatamente convincente. Falta mais decisão e penetração ao Brasil, que muitas vezes parece cozinhar demais as partidas sem muita objetividade. Mas hoje, pelo menos, vontade não faltou. Demorou para que o Brasil conseguisse traduzir a determinação em gols, mas o 3 a 0 coroou o time que passou mais tempo pressionando e que se doou desde o primeiro minuto. Alguns jogadores ainda estão devendo maior participação, mas, como ensaio geral, foi um passo à frente em relação à partida contra a Inglaterra.

Para os homens de Didier Deschamps, que também vem de um 2013 muito oscilante, segue o calvário: o time segue sem vencer em território sulamericano desde 2001 e com apenas uma vitória em cinco jogos no ano de 2013. Os três últimos terminaram em derrota.

Primeiro tempo

Com apenas uma mudança em relação ao jogo da Inglaterra (Marcelo no lugar de Filipe Luís), o Brasil começou a partida buscando o ataque desde o primeiro minuto. A entrada de Guilavogui no time francês confundiu Felipão, e fez com que o treinador repensasse um pouco suas táticas.

Logo no primeiro minuto, Lloris, velho conhecido de Lyon de Fred, driblou o atacante e acabou saindo da área com a bola, onde perdeu para Neymar. O brasileiro do Barcelona teve oportunidade de bater, mas segurou demais e acabou perdendo a bola no desarme do próprio goleiro. No minuto seguinte, Oscar encontrou Fred na pequena área e o atacante tricolor tentou a finalização, mas acabou mandando para fora.

Parecia que a pressão brasileira seria grande, mas a partir daí os franceses começaram a gostar mais da partida. Mesmo que sem exercer uma pressão muito forte, les Bleus chegavam com mais qualidade, trocando passes com paciência e encontrando espaços entre os marcadores brasileiros. A marcação pressão dificultava a saída de bola brasileira, e especialmente Oscar não estava aparecendo muito para receber. Do outro lado, os franceses achavam mais espaços no campo defensivo verde e amarelo.

Aos 9 e aos 11 minutos, a seleção campeã de 1998 vinha chegando com perigo, mas teve dois impedimentos corretamente assinalados para salvar a pele brasileira. Apesar dos muitos erros de passe, a torcida continuou a apoiar e não foram ouvidas vaias – apenas para Oscar, ex-jogador do Inter, vindas da maioria gremista na Arena Porto Alegre.

Aos 16, o Brasil teve boa chance em cobrança de falta, depois de Debuchy derrubar Neymar na meia-lua. A bola era boa para Hulk, especialista neste tipo de cobrança, mas a bola ficou para o próprio Neymar, que mandou em cima da barreira. Guilavogui e Payet chegaram com perigo para a França, mas foram desarmados por Thiago Silva, jogador do Paris Saint-Germain, soberano. Quem parecia nervoso era David Luiz, zagueiro do Chelsea. O brasileiro recebeu o primeiro cartão amarelo do jogo por uma entrada dura em Payet e cometeu falta em Cabaye na ponta direita. Na cobrança, Guilavogui chegou cabeceando baixo no meio da zaga, e a bola saiu com perigo. Apagado esteve Benzema. O atacante do Real Madrid voltou aos titulares depois de perder a partida contra o Uruguai, na última quarta-feira, por conta de uma lesão no joelho.

A partir dos últimos dez minutos, Felipão inverteu o posicionamento de Neymar e Hulk. O jogador do Zenit foi para a direita, enquanto o ex-menino da Vila para a esquerda. Neymar deu uma desaparecida da partida, mas o Brasil passou a pressionar mais os franceses, que já não encontraram mais espaços para atacar e limitaram-se a defender.

Apesar da pressão, o Brasil não conseguia transformar a posse de bola em jogadas de perigo. Marcelo e Oscar tentaram o chute sem perigo. A combinação de Hulk-Oscar-Marcelo pela esquerda criava as melhores chances, com o lateral tentando os cruzamentos rasteiros, mas esbarrando na barreira da zaga francesa. A melhor chance surgiu aos 44 minutos, quando Marcelo bateu com força e Neymar chegou de carrinho no segundo poste, mas não conseguiu desviar. O bandeira, contudo, já dava impedimento de Fred, que não encostou na bola, mas participou do lance.

Segundo tempo

Sem nenhuma alteração a princípio, a etapa final começou bem mais aberta do que o primeiro tempo. Logo no primeiro minuto, Paulinho apareceu no ataque pela primeira vez e viu Hulk na ponta. O atacante encheu o pé e bateu cruzado, mas a bola saiu pela linha de fundo. Imediatamente teve resposta francesa, com Cabaye. O jogador do Newcastle, que tem ótimo chute, chegou batendo de longe e a bola passou muito perto do gol, mas Júlio César estava atento.

Oscar passou a aparecer mais no jogo e isso deu novo fôlego ao ataque brasileiro, que pareceu bem mais perigoso do que em toda a primeira etapa. Aos 9 minutos, dito e feito: Fred recebeu aberto pela esquerda e enxergou Oscar no meio da pequena área. O atacante rolou, e Oscar, com frieza, bateu bem: 1 a 0 Brasil. Ele, que era vaiado sempre que pegava na bola pela maioria gremista, teve seu nome gritado nas arquibancadas.

E ele ainda teve chance de marcar seu segundo gol um minuto depois, quando recebeu de Hulk e bateu cruzado. A bola passou raspando à trave. A partir daí, a França passou a ter maior posse de bola. Aos 14 minutos, David Luiz afastou mal um cruzamento e a bola foi contra a meta brasileira, obrigando Júlio César a fazer sua defesa mais difícil em toda a partida.

Com 20 minutos jogados, começaram as alterações no Brasil: primeiro, Oscar e Hulk deram lugar a Fernando e Lucas. Fred também deixou o campo para a entrada de Jô, que substituiu o lesionado e cortado Leandro Damião, mas o jogador do Fluminense teve uma boa chance de marcar o segundo antes de sair. Recebeu no meio da pequena área e bateu no meio do gol, para defesa de Lloris.

A França também mexeu, tirando Valbuena, Matuidi e Benzema para as entradas de Lacazette, Grenier e Giroud. O Brasil voltou a crescer na partida, enquanto os franceses esperavam um contra-ataque perfeito para tentar o empate. Ocupando mais espaço no campo do adversário, o Brasil tentava tocar a bola, mas pecava muito na hora da penetração. Faltando dez minutos para o fim do jogo, Felipão colocou Hernanes, que tem mais características ofensivas, no lugar de Luiz Gustavo, e foi uma substituição iluminada.

Paulinho puxou contra-ataque rápido e tocou para Lucas, que achou Neymar. O jogador do Barça escorou para Hernanes, que bateu com jeito. A bola ainda tocou na trave antes de morrer no fundo das redes: 2 a 0.

Já parecia impossível que a França conseguisse mudar a história do jogo e impedir o Brasil de quebrar o longo jejum, mas ainda teve tempo para mais um. Já nos acréscimos do jogo, Marcelo fez grande jogada e foi derrubado na grande área por Debuchy. Pênalti! Lucas bateu com jeitinho: goleiro para um lado, bola para o outro, e fechou o caixão.

Torcida feliz ao apito final, fim da escrita de não ganhar de nenhuma seleção campeã do mundo desde 2009 e fim da zica francesa. Uma boa maneira de encerrar a preparação para a Copa das Confederações. O Brasil agora só volta a campo no próximo sábado, contra o Japão, em Brasília.




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