Polícia realiza megaoperação para prender 96 PMs

A Polícia Civil realiza uma megaoperação na manhã desta quinta (28) para prender policiais militares e traficantes suspeitos de integrarem um esquema criminoso em São Gonçalo, Região Metropolitana do estado.

Quase uma centena de policiais que já esteve, e está, nas fileiras do efetivo do 7º BPM (São Gonçalo) é acusada pela polícia de fazer parte de um esquema de recebimento de propina que rendia, mais ou menos, R$ 1 milhão por mês aos militares.

A operação para prender os envolvidos, batizada de Calabar, contou com 800 agentes e 110 delegados, que deixaram a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte da cidade, às 5h. A ação é, segundo a polícia, a maior da história relativa a casos envolvendo PMs e traficantes.

Os policiais que forem presos irão responder por organização criminosa e corrupção passiva. Já os bandidos respondem por tráfico, organização criminosa e corrupção ativa. O nome Calabar é uma referência a Domingos Fernandes Calabar, considerado o maior traidor da história do país.

A investigação mostra que os PMs atuavam como “varejistas do crime” e chegavam a ofertar serviços diversos a traficantes. Por exemplo, os militares escoltavam os chamados “bondes” de criminosos de um local a outro, e até alugavam armas da corporação, incluindo fuzis, aos traficantes.

Uma das conclusões do caso é que todas as semanas, de quinta-feira a domingo, as viaturas do batalhão circulavam por ruas de São Gonçalo exclusivamente para recolher o “arrêgo” pago pelo tráfico. O valor cobrado pelos PMs variava entre R$ 1,5 mil e R$ 2,5 mil para cada equipe de policiais que estava de plantão.

Agentes que investigaram o esquema estimam que a venda de favores e cobrança de dinheiro a traficantes rendesse, pelo menos, R$ 350 mil por semana aos PMs.

Ainda de acordo com a investigação, entre outros crimes, 96 militares são acusados pela polícia de receber bons pagamentos para não atrapalhar os negócios de bandidos, o que, no jargão, é conhecido como “arrêgo”.

O esquema foi descoberto há quase um ano pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG). A primeira pista do esquema surgiu a partir da prisão de um dos suspeitos apontado como responsável por recolher a propina para os policiais.

O resultado só foi possível graças ao trabalho de escuta de agentes, que identificou dois mil diálogos entre PMs e traficantes considerados “chaves” pela polícia para elaborar o inquérito e indiciar os suspeitos. Para chegar ao resultado, policiais da especializada interceptaram mais de 250 mil ligações.


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