Parque da Águas, em Niterói, reabre hoje com novo acesso

Em Niterói, cidade que tem como nome a expressão em tupi-guarani para “águas escondidas”, vestígios da relação secular da população com a água serão descortinados a partir de hoje. Depois de ficar cinco anos fechado após sucumbir ao abandono, o Parque das Águas Eduardo Travassos, no Centro, será reaberto, às 10h30m, com cortejo de artistas circenses partindo da Praça Bety Orsini até o alto do Morro da Detenção. A revitalização do local, com 32 mil metros quadrados, terá programação durante todo o fim de semana. O platô em meio à área verde e com vista panorâmica do bairro ressurge com o propósito de ser uma opção de lazer no coração do Centro, com bistrô, espaço de convivência, auditório, parquinho para crianças, jardim sensorial e iluminação especial. Um elevador foi construído na Rua Professor Valdemir Alves Machado para dar acesso ao local a portadores de deficiência e pessoas com dificuldades de locomoção.

A entrada do parque fica atrás do edifício Tower 2000, ao lado da prefeitura, na Rua Visconde de Sepetiba. Uma rampa para acesso de veículos motorizados que abastecerão o bistrô foi construída na Rua Coronel Gomes Machado, próximo ao grupamento do Corpo de Bombeiros. A prefeitura ainda realizará a concorrência pública para escolher a empresa que administrará o restaurante. O auditório no alto do morro, com capacidade para 60 pessoas, foi reformado e servirá como centro de treinamento dos Núcleos de Defesa Civil nas Comunidades (Nudecs). Numa outra sala fica a administração do parque. No caminho até lá, o trabalho de paisagismo recuperou toda a mata no entorno do morro e instalou bancos, mesas e equipamentos de ginástica. Um jardim sensorial com pés de hortelã, alecrim, salsa e plantas de diferentes texturas e aromas foi construído no percurso.

Programas de educação ambiental

Segundo a prefeitura, o Parque das Águas também será usado para programas de educação ambiental, tendo a água como tema central das atividades. Por meio do elevador, o parque se integra à Praça Bety Orsini, inaugurada em março.

O objetivo do prefeito Rodrigo Neves é que o Parque das Águas, reformado, atraia mais visitantes para a área central da cidade, tornando o local um novo ponto de encontro e lazer como o Skatepark de São Francisco e o Horto do Fonseca.

— A inauguração do novo Parque das Águas integra um planejamento de recuperação e revitalização dos espaços públicos. O local tem importância histórica e ambiental e será um ponto de encontro das famílias niteroienses e referência para a educação ambiental das crianças — avalia o prefeito.

A obra de revitalização custou R$ 7,8 milhões ao município e só foi viabilizada depois de a prefeitura de Niterói incluir o local entre as prioridades para os investimentos do Projeto de Desenvolvimento Urbano e Inclusão Social de Niterói (Produis), com recursos financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Iniciada em setembro de 2015, a reforma tinha previsão para ser concluída em junho do ano passado, mas sofreu uma série de atrasos.

Importância histórica

Mais do que uma área verde em meio aos prédios do Centro, o Parque das Águas é um importante patrimônio para a memória da ocupação da cidade. A história de Niterói está diretamente ligada à água, e o desenvolvimento urbano só foi possível depois da criação de um sistema para abastecer a população, nos idos de 1880, quando foi construída uma das maiores joias do parque: o Reservatório da Correção, com capacidade para nove milhões de litros de água, que ainda abastece parte do Centro e da Zona Sul.

O equipamento foi o primeiro do tipo na cidade e responsável pelo povoamento da região central. Antes, a maior parte das construções em Niterói se concentrava em São Domingos.

Em 1992, o Plano Diretor de Niterói considerou o local como Área Especial de Interesse Ambiental e, em 2002, o Plano Urbanístico (PUR) da Região das Praias da Baía instituiu na área um parque urbano. A localização do parque é adjacente à Área de Proteção do Meio Ambiente Urbano do Centro. A importância histórica dos equipamentos do parque fez com que em 1998 o local fosse incluído na lista de equipamentos tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

 




Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: