Ex-presidente da OAS diz que Lula o orientou a destruir provas de propina durante a Lava Jato

O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro disse na tarde esta quinta-feira (20), em depoimento ao juiz Sérgio Moro no âmbito da Operação Lava Jato, que o ex-presidente Lula o orientou pessoalmente a destruir provas de ilícitos, como propinas, depois de deflagradas as investigações (veja nos vídeos abaixo). O empreiteiro comentou as negociações em torno do sítio em Atibaia (SP) que, segundo investigadores, recebeu melhorias pagas com dinheiro desviado do esquema de corrupção que consistia em fraudes na Petrobras.

“Lula me orientou a destruir documentos durante a Lava-Jato”, relatou o empreiteiro.

De acordo com Léo Pinheiro, a destruição das evidências que pudessem incriminar o petista foi discutida com o próprio ex-presidente em encontro secreto, em maio de 2014. Naquela ocasião, a Lava Jato se aprofundava nas investigações sobre a rede de corrupção instalada na estatal petrolífera por meio de cartel de empreiteiras que, como a OAS e a Odebrecht, fraudavam contratos e superfaturavam obras.

Ainda segundo o relato de Léo Pinheiro a Sérgio Moro, Lula perguntou se a OAS pagava propina ao Partido dos Trabalhadores no Brasil ou países do exterior. O empreiteiro informou então que todos os pagamentos eram efetuados no Brasil.

Diante da resposta, o ex-presidente quis saber se ele tinha os registros dos pagamentos efetuados diretamente ao tesoureiro do PT àquela época, João Vaccari Neto, e a resposta foi positiva. Foi quando Lula, ainda segundo o depoimento, pediu a destruição imediata das provas.

Tríplex

Léo Pinheiro também detalhou situações incriminatórias para o ex-presidente Lula, como as reformas e pequenas construções em um sítio localizado em Atibaia (SP), frequentemente usado pela família Lula. O empreiteiro também fez referência às tratativas que envolveram um tríplex do Guarujá, região litorânea de São Paulo, em que investigadores suspeitam de ocultação de patrimônio. Lula nega ser dono do sítio ou ter participado de qualquer irregularidade em relação ao imóvel do Guarujá.

Ainda segundo Léo Pinheiro, Vaccari o procurou com o objetivo de participar do empreendimento de construção do tríplex em Guarujá (Condomínio Solaris).

“Eu fiz uma ressalva que a empresa só atuaria em grandes capitais. […] Ele me disse: ‘Olhe, aqui tem algo diferente. Existe um empreendimento que pertence à família do presidente Lula. Diante do seu relacionamento com o presidente, o relacionamento da empresa, nós estamos lhe convidando para participar disso”, relatou Léo Pinheiro, acrescentando ter procurado o atual presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e que ele confirmou tal informação.

Negociação

Léo Pinheiro já foi condenado a 39 anos de prisão no âmbito da Lava Jato. Foi preso pela segunda vez em setembro de 2016, a agora tenta firmar um acordo de colaboração judicial em que promete apresentar provar de cometimento de ilícitos de Lula, do Partido dos Trabalhadores e até de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os advogados Roberto Telhada e Edward Carvalho deixaram a defesa do ex-presidente da OAS depois do depoimento desta quinta-feira (20). Os criminalistas defendiam Léo Pinheiro desde a primeira prisão do empreiteiro, em novembro de 2014. Surpreendidos pela confirmação, por parte do Ministério Público, a respeito das negociações para delação premiada, os advogados de Pinheiro disseram a Sérgio Moro que tais tratativas não tinham a participação deles.

Abaixo, os demais trechos do depoimento de Léo Pinheiro:




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