Martinho da Vila abre o ‘Circuito Quatro Estações da Música’ neste sábado, no Horto do Fonseca, com show gratuito

Começa neste sábado (1º) o “Circuito Quatro Estações da Música”, que já foi responsável por trazer para a cidade grandes nomes da música brasileira, como Gilberto Gil, Lenine, Geraldo Azevedo, Maria Rita, Caetano Veloso e Zé Ramalho. O festival completa a sua 9ª edição, e quem vai participar da abertura do evento é o consagrado sambista Martinho da Vila, que se apresenta às 17h, no Horto do Fonseca.

A programação continua na semana seguinte, e no sábado (9), a Praia de São Francisco será palco do show de uma das maiores bandas de rock brasileira, Barão Vermelho, com a turnê #barãoprasempre, celebrando os 36 anos de fundação do grupo. Já a abertura do show ficará por conta da banda niteroiense Bloody Mary.

O evento é gratuito e estará recolhendo alimentos não perecíveis, que, posteriormente, serão doados para instituições locais.

“Existem várias famílias que são atendidas pelo banco de alimentos da prefeitura, e realizar essa campanha de doação, além de promover a cidadania, ajuda a população mais carente da cidade. Estamos com uma expectativa de um público de 50 mil pessoas, desde crianças até idosos, moradores da região metropolitana do Rio e estudantes. A pré-produção está sendo feita com muita responsabilidade e carinho com os artistas e prestadores de serviço, o que resultará em um espetáculo inesquecível”, conta o coordenador-geral de eventos da Prefeitura de Niterói, André Felipe Gagliano.

Não tem como falar de samba sem se lembrar de Martinho da Vila. Ao longo de quase 50 anos de carreira, o cantor e compositor conta com uma discografia repleta de sucessos que marcaram gerações. Segundo o músico, o repertório do show irá ser baseado no novo disco “De bem com a vida”, lançado no ano passado, permeando com as canções que sempre são pedidas pela plateia, como “Amor”, “Mulheres”, “Casa de Bamba” e “Disritmia”.

“Estou bem contente, porque gosto bastante de Niterói, lugar que há muito tempo não me apresento e onde tenho vários amigos. Durante o show, o público pede muitas músicas e nunca sobra tempo para tocar todas. Graças a Deus, são muitas composições que fizeram sucesso. Eu nem pensava em ser artista, mas as coisas foram acontecendo, fui trabalhando em cima e me aprimorando a cada dia mais. Devagarinho fui construindo minha carreira e agora já estou prestes a completar 50 anos de estrada. Eu escrevo música assim como faço uma crônica, onde coloco as coisas que vejo e que estão acontecendo, sempre inspirado pelo momento e pelo meio em que vivo”, declara Martinho da Vila.

Por trás do jeito e da voz calma, existe um grande artista, que, além de compor e cantar, também dedica seu tempo a escrever. Martinho já publicou mais de 10 livros e, em 2009, foi homenageado através do documentário “O Pequeno Burguês – Filosofia de Vida”, com direção de Edu Mansur, que retrata a vida de um dos principais nomes da música popular brasileira. Em seu novo disco, que está em processo de produção, o sambista vai se dedicar a contar a história da escola de samba Vila Isabel, para a qual já compôs vários sambas-enredos.

“Eu e a Vila Isabel somos praticamente uma coisa só. No disco que lançarei esse ano, vou contar, através da música, a história da escola. O cenário atual do samba anda muito bom, se comparado com a época em que comecei nas mídias. Havia apenas um determinado público que gostava de samba e, hoje, é um dos gêneros musicais que estão mais presentes na vida da população. O Crivella não foi legal em anunciar esses cortes no carnaval de 2018. Acho que ele poderia ter reunido o pessoal das escolas de samba lá atrás, na época da candidatura, e explicado a situação do cenário da cidade. Teríamos conseguido chegar em um consenso. Creio que ele ainda irá rever essa posição e que tudo vai dar certo. O carnaval traz muito dinheiro para a cidade”, argumenta Martinho.

Como o próprio sambista já cantou “Na minha casa todo mundo é bamba […], todo mundo samba”, Martinho foi uma grande influência para seus filhos e netos, que também foram para o lado da música. Além de estar acompanhado por uma banda de jovens composta por Gabriel de Aquino, no violão, Alan Monteiro, no cavaquinho e bandolim, Gabriel Policarpo, na percussão, Paulinho Black, na bateria, e Antônio Guerra, no teclado, o sambista também irá dividir o palco com seus netos Raoni e Guido Ventapane, na percussão, e com sua filha Juliana Ferreira, que ficará nos vocais.

“É sempre uma festa dividir o palco com meu pai. Como eu já estou há algum tempo trabalhando com ele, nos conhecemos muito no palco. Às vezes, só de um olhar para o outro, já sabemos o que deve ser feito”, relata Juliana, que também fará uma participação especial no disco novo, ao lado de seu irmão Tunico.

Carinhoso e um verdadeiro avô coruja, Martinho também foi influência para a geração de seus netos, que também nutrem, desde cedo, o amor pela música. Guido, por exemplo, é irmão de Raoni, ambos filhos de Nadimar, e com apenas 16 anos, já se apresenta em shows com o avô.

“Desde pequeno vivemos atrás dos palcos e isso inspira a gostar de tudo o que envolve música. Fazer show com ele é como estar em casa, e é um aprendizado muito grande. Não existe uma cobrança muito rígida, ele sempre nos deixa bem à vontade. É um vô muito carinhoso, até na hora de dar uns toques. Esse estilo dele calmo é sempre, sem nenhum estresse”, conclui Raoni.

O evento é promovido pela Prefeitura de Niterói, através da Coordenadoria-Geral de Eventos e da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Arte de Niterói, com o patrocínio da Águas de Niterói.

O Horto do Fonseca fica na Alameda São Boaventura, 770, Fonseca, em Niterói. Sábado (1º), às 17h. Entrada franca. Censura: livre. Telefone: 2625-2031.




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