MARKETING DE RODRIGO NEVES CUSTOU DUAS VEZES VALOR DECLARADO EM 2012, DIZ DELATOR

A campanha de 2012 do prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PV) teve custo de marketing de R$ 8 milhões, dos quais quase a metade foi paga por caixa 2 — e em espécie —, disse o marqueteiro Renato Pereira, em acordo de delação premiada assinado com o Ministério Público Federal (MPF). Naquele ano, o então candidato declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) gastos de R$ 4,3 milhões com marketing, pouco acima do custo real citado pelo delator. O acordo de Renato Pereira está em fase de homologação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2012, a escolha de Rodrigo Neves como candidato foi resultado da aliança entre o ex-presidente Lula e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). O apoio do governador não era apenas político: segundo Pereira, coube a Cabral bancar metade do custo da campanha do prefeito eleito. Em março do ano passado, Neves deixou o PT e filiou-se ao PV.

A colaboração do político do PMDB à campanha foi decidida em reunião com a participação do braço-direito e ex-secretário de Governo de Cabral, Wilson Carlos, segundo o relato. O delator conta que valores não declarados à Justiça Eleitoral eram entregues na casa alugada em Niterói para funcionar como QG da campanha.

Ele diz não ter participado da entrega de valores, atribuindo a função a seus sócios na Prole: Eduardo Villela recebeu valores de Cabral e, William Passos, valores que tinham como origem o candidato Rodrigo Neves.

LICITAÇÃO FRAUDADA

Depois da eleição de Neves a prefeito de Niterói, com 52,5% dos votos, a Prole foi escolhida para cuidar da publicidade oficial da administração, por meio de licitação que o Pereira diz ter sido fraudada para beneficiá-la.

Segundo ele, seu sócio William Passos participou até mesmo da redação do edital. De acordo com dados oficiais da prefeitura de Niterói, entre 2014 e 2017 a Prole faturou R$ 34,2 milhões com a administração municipal. O contrato com a prefeitura continua em vigor.

Pereira conta que em 2016, diante do avanço da Lava-Jato sobre políticos do Rio, ele e seus sócios teriam decidido não mais aceitar pagamentos em caixa 2, razão pela qual não teriam assumido a publicidade da campanha, mas atuado apenas como contratado de uma produtora.

A negativa, segundo ele, ocorreu apesar da sugestão do então secretário de Obras do município, Domício Mascarenhas, de que pagamentos por fora eram a única forma de viabilizar o orçamento de R$ 7 milhões pelo marketing da campanha, feito originalmente pelo publicitário.

Além de secretário de Obras, Mascarenhas atuou na Empresa Municipal de Moradia Urbanização e Saneamento (Emusa) e na secretaria executiva da prefeitura, cargo do qual foi exonerado em abril deste ano.

PREFEITO NEGA ACUSAÇÕES

Em nota divulgada na manhã desta segunda-feira, o prefeito Rodrigo Neves negou as acusações de Pereira. Segundo ele, “todas as doações de suas campanhas eleitorais foram realizadas de acordo com a legislação em vigor à época, e aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

O prefeito afirma nunca ter orientado nem ter tido conhecimento de pagamentos para suas campanhas “fora dos valores declarados”. Disse também que o ex-governador Sérgio Cabral “nunca figurou entre seus doadores”.

Neves também defendeu a regularidade da licitação para contratação de agência de publicidade, em 2014. Segundo ele, “foi feita de acordo com os trâmites legais e teve a auditoria e aprovação dos órgãos de controle e fiscalização”.

A defesa de Sérgio Cabral informou que ele está impedido de se manifestar sobre a delação de Renato Pereira, pelo fato de estar preso. A defesa de Wilson Carlos não quis se manifestar. Localizado, Willliam Passos, sócio da Prole, também não quis responder às perguntas. A empresa não quis se manifestar. Mascarenhas não foi localizado.

Fonte: O Globo Marketing de Rodrigo Neves custou duas vezes valor declarado em 2012, diz delator




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