Mais de três mil roubos registrados em Niterói no período de janeiro a maio

Chegamos a metade do ano de 2017 e a violência em Niterói já alcançou números inéditos. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública, de janeiro a maio foram registrados 3.249 roubos nas cinco delegacias do município. É a primeira vez que a marca de três mil casos é atingida no período desde o início da série histórica do ISP, em 2003. Também chama a atenção o poder de fogo dos criminosos, que estão usando fuzis até para fazer pequenos roubos, como os ocorridos em frente a um quiosque na orla do Boa Viagem e na porta do colégio Gay Lussac, em São Francisco.

Apesar da prefeitura ter anunciado um plano para tentar conter a violência, os reflexos dessa onda de crimes são sentidos em toda a sociedade. Empresários e comerciantes buscam formas de aumentar a segurança no entorno de seus negócios e moradores em geral evitam circular em endereços já tradicionalmente identificados como perigosos, apelidados de “ruas do perdeu”.

O patamar inédito alcançado pelo número de roubos totais de janeiro a maio de 2016 já fora um recorde: houve 2.945 casos. Os 3.249 registros deste ano apontam um crescimento de 10,3%. Para se ter uma ideia, quando comparamos o mesmo período com o ano de 2003, chega-se a um aumento no índice de 45,7%.

Os índices de roubo de carro, são os mais confiáveis para medir a criminalidade, pois raramente deixam de ser comunicados à Polícia e também são os mais altos dos últimos tempos: no período analisado, foram 824 registros este ano contra os 639 do ano passado, um aumento de 28,9%. Os roubos a pedestres sofreram leve queda (de 1.426 em 2016 para 1.398 este ano). No entanto, há uma subnotificação imensa em relação a esses crimes, porque as vítimas, na maioria das vezes, preferem não registrar queixa na delegacia. E a sensação e medo nas ruas é inversamente proporcional aos números oficiais.

Mas a alta não é percebida apenas no número de crimes. O 12º BPM (Niterói) tem notado um aumento na presença de armamento pesado nas mãos de criminosos; em alguns casos, usados para cometer crimes comuns. Só nos cinco primeiros meses deste ano, a PM apreendeu sete fuzis. Nos 12 meses do ano passado, foram dez; e em 2015, ano recorde, foram 23 fuzis. O caso mais recentes de apreensão foi na madrugada de segunda-feira, quando PMs souberam da tentativa de invasão de traficantes da Vila Ipiranga a uma comunidade vizinha. Policiais num veículo ficaram a postos para interceptar o carro dos bandidos na Avenida Professor João Brasil. Houve troca de tiros. Um dos suspeitos morreu, outros quatro se renderam, dois deles também baleados. No veículo foi encontrado um fuzil AR-15.

A Polícia Militar avalia que há também uma mudança na forma como os traficantes estão agindo. Eles estariam permitindo roubos nos arredores das comunidades. E os morros de Niterói também teriam passado a funcionar como filiais de comunidades dominadas pelo tráfico no Rio, inclusive já estariam recebendo drogas embaladas e prontas para o consumo.

No último domingo(09), moradores de Niterói se reuniram na Praia de Icaraí em uma passeata pedindo pela paz e segurança na cidade.


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