Forças Armadas e polícia fazem megaoperação em Niterói.Prisões não equivalem ao efetivo usado

As Forças Armadas, a Polícia Militar e a Polícia Civil realizam, desde a madrugada desta quarta-feira, uma operação em conjunto em comunidades de Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ao todo, serão cumpridos 26 mandados de prisão preventiva, dois de busca e apreensão de menores e 34 de busca e apreensão. A ação tem a participação de 2,6 mil homens das forças de segurança.

O diretor do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI), delegado Celso Couto, comemorou o resultado da operação e adiantou que novas ações poderão ser realizadas em breve.

O diretor do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI), delegado Celso Couto, comemorou o resultado da operação e adiantou que novas ações poderão ser realizadas em breve.

Operação foi desencadeada a partir de investigação da 79ª DP (Jurujuba)
Foto: Evelen Gouvêa

“Concluímos um trabalho em que não tivemos baixas e conseguimos um número considerável de pessoas presas, comparando ao total de mandados. Continuamos a procurar delegacias do interior do Estado com investigações em fase avançada para podermos realizar novas ações deste porte, com a integração de forças, como aconteceu hoje ”, disse.

Para Celso Couto, o fato de nenhuma arma ter sido apreendida na operação não tirou seu mérito.

“Nem sempre a gente consegue prender e apreender algo. Talvez com a prisão destas pessoas possam começar a aparecer os locais onde possamos fazer novas investidas. Mas o objetivo de hoje era cumprir os mandados de prisão”, afirmou.

Todos os presos foram encaminhados para a Divisão de Homicídios (DH) de Niterói. O pai de um deles tentou interferir na detenção, ocorrida na Ititioca, e acabou detido junto ao filho. Ele também foi levado para a delegacia especializada.

O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Márcio Rocha, reforçou a importância da operação integrada.

“Com a Operação, o Estado dá uma demonstração de que podemos alcançar melhores resultados no que se refere aos índices de violência”, disse.

“Acreditamos que essa integração é fundamental e mostra que, unindo esforços, temos condição de potencializar os nossos resultados”, acrescentou o general Adilson Katibe, comandante da AD/1, do Exército Brasileiro.

Mais de 10 mil horas de interceptação

A operação foi desencadeada a partir de uma investigação da 79ª DP (Jurujuba), iniciada há seis meses, que reuniu mais de 10 mil horas de inteceptação telefônica. A polícia conseguiu mapear a hierarquia e identificar 29 pessoas que atuam especificamente no Atalaia e na Igrejinha.

De acordo com o delegado titular da 79ª DP, Claudio Otero Ascoli, a polícia identificou nessa investigação traficantes que também atuavam em roubos de veículos, na prática de homicídios, ameaçando e constrangendo pessoas, negociando compras de armas de fogo, munições e atuando como receptadores de veículos.

“A operação foi denominada ‘Dose Dupla’ pois identificamos que o tráfico de drogas não está mais restrito à venda dos entorpecentes. Percebemos que esses elementos estão muito bem organizados e possuem toda um hierarquia. Eles têm uma liderança, um segundo escalão bem delineado que dava ordens para o escalão rasteiro, os traficantes e roubadores. Ao todo 11 roubos de veículos, além de três homicídios estão relacionados a esses elementos que identificamos”, declarou.

Segundo as investigações, o dono dos morros seria Fábio Luiz Vieira, o Mano. No segundo escalão, estariam quatro soldados do tráfico: Rafael Freitas de Andrade, acusado de vender armas; Carlos Eduardo dos Reis Oliveira, o Dois; e Luis Fernando Oliveira da Silva de Souza, o Bobói ou Filhão, apontados como gerentes; e Cosme Chagas da Silva, o Gordinho, que era considerado o faz-tudo da quadrilha e segundo o delegado foi a prisão mais importante da operação.

O restante dos procurados era dividido em três grupos. Eles eram considerados pela polícia os maiores responsáveis por cometer os crimes na ruas. São eles: Natanael Freitas de Andrade Júnior, o Tael; Walter Marques de Oliveira Marinho, o Valtinho ou Mocotó; Gabriel Gomes dos Santos, o GB; Lucas Ramos Silva, o Cinza; Luis Felipe Oliveira da Silva de Souza, o Bigu; Raphael Antônio da Silva, o Cobrador; Jonatha Marinho de Morais Pereira, o Piloto; Wallace Costa Bras, o Loirinho; Luro Vieira da Silva Neto, o Da Bala; Higor Siqueira de Arruda Ribeiro, o Dentinho; Washington da Silva Soares, o Macaco Louco; Rodrigo Assis da Silva, o Coquinho; Alan Lima de Melo, o Menor Bom; Bruno Ribeiro de Paiva, o BR; Anderson Tavares dos Santos, o Maninho; Cícero Martins Fernandes, o Come e Dorme; Carlos Eduardo Nunes da Silva; Róbson Alexandre Carvalho da Cunha, o Zoinho; Leonardo Guimarães Laurentino, o Léo; Adriano Silva da Cruz, o Rato; e Luis Paulo da Silva Passos, o Bodinho. A lista ainda contém três menores.

Prisões não equivalem ao efetivo usado

Especialistas em Segurança Pública consideram que a quantidade de prisões, de drogas e outras apreensões efetuadas ontem, foram ínfimas diante do efetivo disponibilizado. E sustentam que as Forças Armadas estão sendo empregadas de forma errada no combate à criminalidade.
“Nem em sonho poderia se imaginar que teríamos um efetivo desse porte para cumprir mandados de prisão. As polícias Civil e Militar já fazem isso todo dia. Se as Forças Armadas pudessem patrulhar ruas e vias especiais seria muito mais útil”, avaliou o presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, José Ricardo Bandeira.
“Se o efeito procurado é publicitário, podem dizer que a operação foi um sucesso. Se considerarmos o montante do efetivo empregado, o resultado foi ridículo”, opinou o delegado federal aposentado Antônio Rayol.




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