Devotos enfrentam calor e cansaço para pagar promessas em Aparecida

A organização do Santuário Nacional esperava 200 mil pessoas para este 12 de outubro, celebração do Jubileu de 300 Anos de Nossa Senhora Aparecida. Até as 12h desta quinta, 155 mil compareceram, segundo a entidade. No ano passado, durante todo o dia, foram 140 mil.

Além de cruzes, romeiros carregam consigo ofertas de toda sorte a Aparecida: imagens da Santa, roupas, miniaturas de carro, réplicas de parte do corpo humano.

ROMEIROS

Segundo a CCR, concessionária que administra a Dutra, 18 mil romeiros vieram a pé até Aparecida desde 1º de setembro -só nesta quinta, da meia-noite às 11h, foram 8.500.

Em comum, todos os fiéis aparentam um cansaço extremo, mas menor que a devoção. Perto das 7h30, igreja lotada, um padre celebrava uma das primeiras missas do dia e puxou o cântico: “Mãezinha do céu, eu não sei rezar…”.

Sentados nos bancos, deitados chão, encostados nas colunas, ainda havia fôlego para cantar a uma só voz: “Eu só sei dizer, eu quero te amar”.

Fora do templo, havia filas por todos os lugares -o movimento refluiu consideravelmente após as 14h. Era preciso esperar para comprar velas, para acendê-las, para ver a imagem de Aparecida de perto (pela manhã, levava-se no mínimo três horas) e para comer.

Sob o sol de 30°C, houve quem não resistisse até a eucaristia na missa solene. Bombeiros circularam com cadeiras de rodas pela multidão, atendendo quem passava mal -a reportagem viu três casos. Segundo a organização, foram mais de 300 atendimentos médicos, a maioria relacionados a mal estar, pressão baixa ou desmaios em razão do calor.

POLÍTICOS E PAPA

Ausência de políticos foi sentida em Aparecida. A organização convidou autoridades, incluindo o presidente Michel Temer (PMDB) -que gravou um vídeo lembrando a data e enviou o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB), para representá-lo.

“Se eu fosse presidente do Brasil, eu viria, não é?”, disse o reitor do Santuário Nacional, padre João Batista, a jornalistas, após a missa campal. “Eu acho que é uma questão até de assessoria. Vai ver os assessores não atentaram pra isso. Olha, é a padroeira do Brasil. É algo importante. Mas a gente respeita”, afirmou o sacerdote.

Batista citou como exceção o governador Geraldo Alckmin (PSDB), declaradamente católico, que disse frequentar Aparecida desde quando era prefeito da vizinha Pindamonhangaba. Alckmin levou seus secretários, Rodrigo Garcia (habitação) e Samuel Moreira (Casa Civil). Sentou-se na primeira fila durante a missa solene, realizada na área externa do santuário.

As autoridades foram vaiadas brevemente pelos fiéis, quando foram anunciadas no início da cerimônia. “Não ouvi vaia nenhuma”, respondeu Alckmin, quando questionado sobre a manifestação do público.

Além de autoridades políticas, faltou o papa Francisco na celebração. Em 2013, quando esteve em Aparecida, ele prometeu que viria para os 300 anos da padroeira. Em vídeo, ele falou que o brasileiro precisa ter fé contra a corrupção.

“Não se deixem vencer pelo desânimo”, disse o papa, que repetiu a frase: “Não se deixem vencer pelo desânimo. Confiem em Deus.”

“O Brasil hoje necessita de homens e mulheres cheios de esperança e firmes na fé, que deem testemunho de que o amor manifestado na solenidade e na partilha é mais forte e luminoso que as trevas do egoísmo e da corrupção”, disse.




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