Delatores dizem que Eduardo Paes recebeu R$ 650 mil via caixa 2

O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, recebeu uma doação não contabilizada de R$ 650 mil da Odebrecht na campanha de 2008, afirmam três delatores da empreiteira: os executivos Luiz Eduardo da Rocha Soares, Leandro Andrade Azevedo e João Borba Filho.

De acordo com eles, a doação foi feita com o objetivo de “vencer contratos futuros com o município”.

A versão dos delatores consta de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, que enviou o caso para a Procuradoria do Rio investigar a suposta ilegalidade, já que Paes já não ocupa cargos eletivos e não goza mais da proteção do foro privilegiado.

Na disputa de 2008, Paes venceu o candidato Fernando Gabeira (PV) por uma diferença de menos de 2% dos votos.

Não é a primeira menção ao ex-prefeito do Rio entre os delatores da Odebrecht. O mesmo trio de executivos que falou sobre o suposto repasse em 2008 disse que Paes recebeu R$ 16 milhões para “a facilitação de contratos relativos à Olimpíada de 2016”. O pedido sobre os contratos olímpicos foi feito em 2012 pelo próprio Paes a Benedicto Junior, ainda de acordo com esse delator.

Os ex-executivos da Odebrecht dizem ainda que em 2014 Paes pediu R$ 300 mil para um de seus principais aliados, Pedro Paulo, que concorreu a deputado federal naquela eleição.

OUTRO LADO

Paes ainda não comentou a versão dos delatores sobre o suposto repasse de 2008. Sobre as outras acusações, ele negou enfaticamente que tenha recebido recursos ilícitos da Odebrecht.

Em nota, o ex-prefeito disse que “é absurda e mentirosa a acusação de que teria recebido vantagens indevidas por obras relacionadas aos Jogos Olímpicos” e “nega veementemente que tenha aceitado propina para facilitar ou beneficiar os interesses da empresa Odebrecht”.

INVESTIGAÇÃO

O ministro Edson Fachin determinou a abertura de inquérito contra oito ministros do governo Michel Temer (PMDB), 24 senadores e 39 deputados federais. Serão abertas 76 investigações pedidas pela Procuradoria-Geral da República após as delações da Odebrecht.

Entre os citados estão os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB). Dois dos principais aliados de Temer, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), também estão na lista, que abrange ainda os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros, do PMDB, e Aécio Neves (PSDB).

No total a relação tem 98 nomes e inclui três governadores e um ministro do Tribunal de Contas da União. Algumas suspeitas da Procuradoria são corrupção, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude e cartel. Fachin remeteu 201 outros casos a tribunais de instâncias inferiores envolvendo citados sem foro no Supremo -entre os mencionados estão os ex-presidentes Lula, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso.

Os inquéritos iniciam longo trâmite. Investigarão o teor das delações, que precisarão de provas adicionais para tornar-se efetivas. Ainda há as fases de denúncia e do processo, com ampla defesa, antes do julgamento.




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