Brasil ganhará mais 30 santos neste domingo

O Papa Francisco vai canonizar, em cerimônia na Basílica de São Pedro, vítimas de massacres no Rio Grande do Norte, onde holandeses mataram cristãos em 1645

O Brasil vai ganhar, neste domingo (15), 30 novos santos de uma só vez. Tratam-se dos sacerdotes André de Soverval, Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira, além de outros 27 companheiros deles mortos nos massacres de Cunhaú e Uruaçú, no Rio Grande do Norte. O Papa Francisco vai canonizá-los em uma cerimônia na Praça São Pedro neste domingo, que será transmitida pela Rádio Vaticano ao vivo, com comentários em português.

Na lista de novos santos estão 25 homens, incluindo os dois padres, e cinco mulheres. Entre eles, 16 eram adultos, 12 jovens e duas crianças, sendo a mais nova um bebê de dois meses de idade. A missa solene na Basílica de São Pedro ocorre a partir das 5 horas deste domingo no horário de Brasília.

O padre Julio Cesar Souza Cavalcanti, que encaminhou a canonização dos mártires na Arquidiocese de Natal, informou à BBC que a identificação dos contemplados se dará por nomes e por identificação de parentesco e amizade das vítimas. Os 30 mártires já haviam sido beatificados em 5 de março 2000 no Vaticano.

À época, a cerimônia foi conduzida pelo Papa João Paulo II. O processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé em reconhecimento aos cristãos brasileiros mortos em decorrência da invasão de holandeses no Brasil em 1645. Cerca de 150 católicos foram mortos na Capela de Nossa Senhora das Candeias, em Cunhaú, e depois em Uruaçu, comunidade de São Gonçalo do Amarante.
Fiéis tiveram as línguas arrancadas para não proferir orações e braços e pernas foram arrancados. Crianças foram partidas ao meio e degoladas. De acordo com a Rádio Vaticano, os chamados mártires de Cunhaú e Uruaçú foram os únicos mortos identificados.

Por esse motivo, somente eles serão reconhecidos na cerimônia. Os padres que serão santificados celebravam as missas e foram torturados. Segundo a Igreja, o caso foi emblemático e os mortos teriam dado a vida “derramando o sangue na vivência de sua fé”. Segundo o Vaticano, 70 pessoas foram assassinada em 16 de julho de 1645 em Cunhaú.

O episódio teria sido uma retaliação holandesa aos que se recusavam a migrar para o calvinismo, movimento religioso protestante que difundiam. Ainda de acordo com a Rádio Vaticano, quase três meses depois do episódio, em 3 de outubro, outras 80 pessoas foram massacradas às margens do rio Uruaçú. Próximo ao local do massacre, em Uruaçú, foi erguido o Monumento dos Mártires, aberto a turistas e religiosos. Vários fiéis passam pelo local para acompanhar celebrações em homenagens aos mortos todo ano.




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