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Boeing negocia aquisição da Embraer

A fabricante de aeronaves americana Boeing está negociando a compra da Embraer, de acordo com o jornal americano Wall Street Journal. A publicação destaca que as empresas aguardam a posição do governo brasileiro sobre o negócio. Atualmente, a Embraer tem um valor de mercado de cerca de US$ 3,7 bilhões. A informação foi confirmada pelas duas empresas.

A Embraer é apresentada pelo Wall Street Journal como “a joia da coroa da indústria brasileira”.

As ações da Embraer subiram 22,5% após a confirmação de que negocia a fusão com a Boeing. Mais cedo, os papéis chegaram a subir mais de 40%.

A possível negociação acontece após as principais concorrentes – Airbus e Bombardier – se unirem. Boeing e Embraer já são parceiras em projetos  e mantêm um centro de pesquisas conjunto sobre biocombustíveis para aviação em São José dos Campos desde 2015.

Em comunicado conjunto, Boeing e Embraer confirmaram negociação:

“Boeing e Embraer confirmaram hoje que as duas companhias encontram-se em tratativas em relação a uma potencial combinação de seus negócios, em bases que ainda estão sendo discutidas. Não há garantia de que qualquer transação resultará dessas discussões. Boeing e Embraer não pretendem fazer comentários adicionais sobre essas discussões”.

Sindicato dos Metalúrgicos defende veto

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos divulgou nota nesta quinta-feira (21) defendendo o veto do governo federal à venda da Embraer.

Veja a nota:

A possibilidade de compra da Embraer pela norte-americana Boeing, conforme noticiado pela imprensa, nesta quinta-feira (21), é repudiada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas.

Única fabricante brasileira de aviões e terceira maior do setor no mundo, a Embraer é estratégica para o país e não pode ser vendida para capital estrangeiro. Exigimos que o governo federal vete a venda e, enfim, reestatize a Embraer como forma de preservar e retomar este patrimônio nacional.  

 Ainda segundo informações divulgadas pela imprensa, a concretização das negociações depende da palavra do governo, que detém ações de classe especial (golden share) da Embraer. Isto mostra que as negociações já vêm de longo tempo, longe dos olhos da população.

A Embraer emprega hoje cerca de 16 mil trabalhadores no Brasil e já vinha adotando uma profunda política de desnacionalização da produção. A venda para a Boeing vai comprometer esses postos de trabalho e a própria permanência da fábrica no país.

É importante relembrar que, no dia 19 de julho, o Ministério da Fazenda solicitou consulta ao Tribunal de Contas da União sobre a possibilidade de abrir mão das ações golden share da Embraer, Vale e IRB-Brasil Resseguros. Sem essas ações, o governo perde o poder de veto sobre essas empresas.

No caso da Embraer, a golden share confere poder de veto em questões como venda, programas militares e acesso à tecnologia.

Como representante dos trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos reafirma sua posição em favor do veto à venda da Embraer e sua reestatização.




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