Após 21 anos, José Trajano é demitido da ESPN Brasil

José Trajano deixou a ESPN após 21 anos na emissora e teve seu contrato rescindido na manhã desta sexta-feira. O jornalista ficou surpreso com a notícia e não esconde a tristeza após tantos anos de dedicação ao canal. Ele ainda acredita que seu posicionamento político acabou influenciando a decisão.

”Estou meio assim chocado, ninguém trabalha por tantos anos tendo fundado o canal, recebe um bilhete azul e fica tranquilo. Mas tenho recebido tanto conforto, que isso está me envaidecendo, mostra um trabalho bem feito, formador de muita gente. Eu levo o orgulho de ter feito o canal”.

Trajano ficou chateado pela forma como aconteceu a demissão em uma breve reunião. Ele diz que a presidência do canal justificou a saída como contenção de despesas, mas considera estranha a decisão diante do atual cenário político do país.

”Eu acho um pouco estranho nesse momento conturbado do país. Já me chamaram algumas vezes dizendo que seria melhor não falar nada de política. Eu sempre fui envolvido e nunca escondi as minhas preferências políticas. Achavam que pelo fato de eu ser um ‘talent’, onde eu estivesse eu estaria representando o canal”, disse.

”Houve um documento entregue no mês passado dizendo que havia uma norma da empresa que era de não se manifestar politicamente, disseram que era uma norma que veio dos Estados Unidos. Eu não assinei”.

José Trajano foi fundador da ESPN e trabalhou como diretor de jornalismo por 17 anos. Em 2011, ele deixou de ser executivo e permaneceu apenas como comentarista, especialmente do programa Linha de Passe. Apesar da tristeza de deixar a ESPN, Trajano está satisfeito com as várias manifestações de carinho que recebeu tanto de amigos quanto de uma geração de telespectadores que acompanhou o crescimento da ESPN.

”Um dia as coisas sempre acabam. O bom é que eu saio com o apoio de amigos queridos que ficaram chocados, do fã do esporte, de uma geração inteira que cresceu ali dentro e que hoje já têm filhos, ali já foi uma família. Tem muitas pessoas me ligando, gente que eu nem conheço, dizendo que fez jornalismo por minha causa. Isso me deixa feliz”.

 




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